Por que é tão importante falar de empoderamento quando discutimos empreendedorismo feminino?

Por Nathália Raggi

Convidamos para o primeiro bate-papo do nosso wmncast (o podcast da WMN) a Nathália Raggi [socióloga, mestra em Educação e Gestora de Comunidade do Elo7, o maior site de produtos criativos da América Latina. Acredita no diferencial do trabalho artesanal e sonha com a realização profissional dos criativos de todo o Brasil].

Hoje, ela vem dar uma palhinha sobre esse assunto que tanto permeia nossas vidas. A questão é: por que é tão importante falar de empoderamento quando discutimos empreendedorismo feminino?

 
 
Mulheres Fora de Série, evento promovido pelo Elo7 em março desse ano.

Mulheres Fora de Série, evento promovido pelo Elo7 em março desse ano.

 

Simplesmente porque não basta as mulheres empreenderem cada vez mais se não repensarmos e reconstruirmos a maneira como nos organizamos e agimos social, politica e economicamente.

São muitos os desafios diários enfrentados em um mundo que ainda prega papéis e condutas que limitam as possibilidades da mulher se capacitar, se desenvolver, se planejar e empreender seu próprio negócio. O primeiro desafio é de cunho cultural, já que a mulher tem uma educação que não incentiva o risco e a posição de liderança (histórica falta de representatividade de mulheres em cargos de liderança em empresas ou política). E o segundo é de cunho conjuntural, já que as mulheres, em geral, são mais sobrecarregadas nos serviços domésticos e cuidado dos filhos (historicamente as tarefas não são vistas como responsabilidade de ambos igualmente).

Uma pesquisa realizada em 2019 com mil empreendedoras do marketplace Elo7 revelou que a maioria decidiu empreender após a maternidade. A flexibilidade de horários que o empreendedorismo proporciona é uma grande alavanca dessa decisão, pois permite conciliar melhor a dupla jornada (vida familiar e profissional) em um mundo em que as empresas não estão ainda preparadas para incentivar isso.

Em um cenário em que a maioria das empresas não oferece as mesmas oportunidades de crescimento profissional para homens e mulheres, oempreendedorismo surge também como uma luz no fim do túnel da estagnação profissional. Seja abrindo sua própria empresa ou trabalhando em parceria com outros empreendedores, a mulher ganha a possibilidade de retomar o crescimento e controle de sua carreira.

Uma mulher que alcança a sustentabilidade ao empreender não depende economicamente de seu parceiro, aumentando assim o poder de decisão sobre sua vida. Essa independência econômica pode ser vital para reduzir problemas que assolam mulheres em todo o mundo, como a violência doméstica. Além disso, ao alcançar o sucesso empreendendo, ela empodera e incentiva outras mulheres, cria um círculo virtuoso de inspiração e transforma a comunidade em que se insere. 

Empreender também é um processo de autoconhecimento que empodera emocionalmente. Ao se envolver em um projeto ou negócio com o qual se identifica (e por que não, ama!?), as mulheres se aproximam de seu propósito, seus valores e fortalecem sua identidade individual. 

Resumindo, um dos mais importantes vetores para o empoderamento feminino é o empreendedorismo. A independência financeira, a rede de apoio, a possibilidade de trabalhar com o que gosta e o autoconhecimento que ele permite fortalecem a causa das mulheres em todo o mundo.

 
 
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